Treinar pra quê, se eles não sabem como fazer?

Certas empresas adotam um estilo peculiar de treinamento. Na verdade, muitas estão mais preocupadas em "seguir o processo" do que realmente colher frutos com os treinamentos, quais sejam, formar funcionários qualificados para exercer suas atividades com eficiência. É o caso da empresa (pública) onde trabalho.

Treinamento já é algo difícil de acontecer, pois são poucas as empresas que prestam serviços para seus funcionários. Porém, mais difícil ainda são as empresas que fazem um treinamento com qualidade. É bem verdade que as empresas privadas preferem contratar os funcionários com as qualificações necessárias para o trabalho. Porém, nas grandes empresas e, principalmente, nas empresas públicas isto já é algo mais comum. Os funcionários ingressam na empresa por meio de concurso e, mesmo sendo altamente qualificados, nem sempre o são para determinadas tarefas (lei de Murphy?).

Pois bem. O que EU FICO MUITO PUTO não são por causa desses treinamentos sem efeito, fora de hora (geralmente tem-se várias demandas a serem cumpridas em curto prazo e o treinamento torna-se mais um "vilão") e formadores de lingüiça currículos vazios. O que me deixa mais PUTO é a forma como se dá o aprendizado.

Senão vejamos: na vida, tudo se aprende do mais básico até o mais avançado. Você não aprender a correr 100m rasos sem antes aprender a andar e para andar, você andou penando um pouco tentando engatinhar e depois a ficar de pé. É óbvio! Mas poucos enxergam o óbvio.

Então, ao invés do ensino ser na forma de escada, subindo um degrau de cada vez (modelo bottom-up), a passos firmes, construindo uma base sólida, vemos um ensino totalmente divergente da lógica, onde se começa do mais avançado até o mais básico. Apenas para cumprir o processo! É o que eu chamo de ensino escorregador ou modelo topdown: de cima pra baixo... rapidamente:


Pelo nome, parece até que é mais divertido. Por um lado até que é: A maioria dos treinandos "bóia" (ou voa) tanto nos treinamentos (porque está aquém dos seus conhecimentos) que resolve ficar navegando na Internet, olhar e-mails, etc. Só que é mera ilusão. Esse escorregador é um pouco diferente dos demais. No final das contas, você se fode lasca todinho, porque ao final temos o "ralador". Ou seja, já que o indivíduo foi treinado naquele domínio, então assume-se que ele está qualificado para trabalhar em projetos que usam tal tecnologia, por exemplo.


E se você descesse num escorregador desses, será que você teria coragem de descer de novo? Isto é mais uma conseqüência deste tipo desumano de forma de ensino, onde a origem do desestímulo para se aperfeiçoar profissionalmente vem do próprio treinamento. Cruel!

A mensagem é clara: devemos levar mais a sério a palavra "pré-requisitos". Ela não está ali só pra encher com mais palavras um documento ("artefato") chamado Convite. Até tudo isso se resolver, "nóis só se lasca". Afinal, o que importa é o processo e seus medidores.

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